domingo, 10 de março de 2013

Erros

Portas que se abrem
para o que estava guardado.
E os rabiscos no chão,
Frente a frente o medo e a paz,
a culpa e o perdão,
"expectativam" as mãos carmim
E o que as encobre.

Todos olham,
Apenas Um vê.

A mão que rabisca,
As vozes que acusam,
Uma alma doente que suplica.

Que se pode dizer?
Que se há de fazer?
Rabiscos ocultam 
o mistério do perdão.


Por Acsa Brito






segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ospedali II

Carregava em suas mãos
O peso da saudade,
A agonia da morte,
O lamento da perda.

Um andar cabisbaixo
Num corredor de destinos:
Ospedali

Nas mãos a lembrança,
da esperança que traiu
o sorriso fraco de uma vida.

Os outros mortais,
Em seus austeros envoltórios cor de paz,
Sem paz revelam um ex-ser.
Restou-lhes apenas um olhar frio
Adaptaram-se às inverdades da imortalidade.

Quem quisera antes
Compreender que o fim
É mais uma prévia do que está por vir:
A eternidade ao Seu lado.

Carregava em suas mãos
O peso da saudade
Aqui, apenas (des) ilusões.
Uma simples amostra da fragilidade da vida:
Ospedali.


Por Acsa Brito.


sábado, 26 de janeiro de 2013

Ospedali

O que meus olhos vêem
São apenas máquinas
em uma oficina humana.
Máquinas desajustadas
Que fogem ao padrão de perfeição

Correm, cansam e trabalham
Apenas para consertar suas máquinas
Estudam, buscam e pesquisam
Apenas para conhecer suas máquinas

E nada sabem
Adiam o fim iminente
mas não podem evitar
o momento em que suas máquinas
Desligarão.

Por Acsa Brito

Certas (in)certezas

A depender de meu ser volúvel,
padeceria.
Teu caminho é a firmeza que me apego
E sigo.

A depender de meu olhar insano,
cairia.
Teu horizonte é a luz que me guia
E vejo.

A depender de meu riso vulnerável,
obscureceria.
Tua alegria é a verdade que me envolve
E sorrio.

A depender de meu respirar inconstante,
morreria.
Teu sopro é o fôlego que me mantém
E vivo.

Nesta vida de incertezas
És a certeza da vida.

Por Acsa Brito

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Misericórdia

Eis que fizeste noite
Sob a tarde ensolarada
Apenas para que a manhã
dos meus olhos chegasse
E se ouvisse o canto alegre
Da flor do campo amarelada.

por Acsa Brito.

Vida

Êita que sorriso vivo, menina!
Foi o sonho que acordou do sono
E não se realizou
Um paradoxo da vida

Ah, Vida!
Há Vida!
Nesta Vida, este sorriso.
não no sonho.
Alegria e Vida.

Ausência

Onde estava?
Vê-se a nudez d'alma
A obscuridade do ser a si mesmo
Ou se deixar ser
Contrariando o te permitir ser em mim.

Há mais que isso.
Desperta!
Tem poesia nessa jornada
Vida pra descobrir
Conhecimento que alimenta.
E traz paz

Paz.
Necessário é ter
e viver
essa Paz.
Onde estava?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Se há em mim alegria
Tu és o principal causador
Não te recrimino por isso
Apenas agradeço.
É mais que o bastante.

Queria poder reparti-la agora
Impregnar sua luz em outro ser
Deixa-lo desacordado de sentimentos por ti
Apenas para que se alegre também
E viva
A essência da felicidade eterna
ao seu lado.

Meu único confidente,
Corações estão sendo destroçados
Mostre-lhes o caminho!
Seja seus olhos!
Como se compadeceu de mim,
deixe-se derramar de amor e misericórdia!

És a única esperança.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Meu Rei


Sinto que nossos passos
Andam juntos agora
Vejo que o céu
Não é tão longe de alcançar.
Penso nas músicas
Que embalavam a melancolia do meu ser tristonho...
Nada mais faz sentido.
Porque, na verdade,
Tudo faz sentido.
Já tenho sentido,
Tu és o meu sentido.

O medo, a angústia, as lágrimas,
Denunciavam meu andar distante.
A solidão sem motivo
Cantava aos meus ouvidos:
Volta!
Resistente ao canto,
Andei sombria.
Como vento sem destino,
Procurei encher-me de vazios.
Escondi-me na máscara do orgulho,
E chorei.

Chorei por saber a verdade:
O meu Rei estava destronado.
Destinei o Reinado
à causas secundárias.
Daí então,
ter me perdido no sentido da vida,
Me deixado levar por coisas vãs.

Em pedaços minh'alma foi dilacerada.
A reconstrução consciente,
Tão delicada.
O retorno do Rei ao seu legado.
A cura interior tão esperada.

Sinto que nossos passos
Andam juntos agora.
Vejo que o céu
Não é tão longe de alcançar.
A felicidade antes perdida, foi reconquistada
Os domínios do reino foram retomados
Agora meu ser descansa
Porque o senhor, meu Rei,
Reina sobre mim.

Por Acsa Brito

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ansiedade

E todas as manhãs
Caem como um bálsamo para as noites frias.
A angústia de que o sono venha
Tão grande como a vontade de não estar assim.

A fé parece minguar nesse turbilhão de emoções
Quanta necessidade de perceber que estás perto
Quanta vontade da segurança do Teu colo de Pai
São noites escuras onde a solidão
Busca na memória os tempos de paz e descanso
Descanso em teus braços.

Como cheguei aqui?
Ainda me pergunto.
Os ventos que me trouxeram
Se foram sem deixar pistas
de como voltar.
Se as lágrimas formassem rios,
e em sua correnteza me levassem de volta.
Estaria feliz.

Desnecessário é estar assim.
Apenas uma escolha e estaria enfim
Confiando novamente meus caminhos a Ti

É preciso emudecer o pensar
E te deixar falar em mim
Inevitável voltar a sorrir
E sorrindo dormir
Em paz.

Por Acsa Brito.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Buscando

Ando te procurando por aí
Em imagens, fotografias
Em canções que remetem nostalgia

Fixo meus olhos no céu
A lua se esconde de mim.

O mar se cala em seu furor.

E eu, desconsertada em minha busca.

Quem sabe uma canção não seja capaz
Uma imagem não represente
A criação não defina em si mesmo
O que procuro.

Busco por Ti,
Espero por Ti
Talvez essa procura
Seja incompreensão da mais nítida verdade:
O que eu procuro está dentro de mim.


Por Acsa Brito.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sem palavras

Enquanto dormia,
Tocou-me o rosto um clarão.
Entreabri os olhos sem compreender
E sorri.
Sorri ao ver quem ousara visitar-me à madrugada
Doce alegria inesperada

Levantei-me ainda sonolenta,
Dirigindo o olhar em direção à veneziana
E sorri novamente.
Quanto contentamento!
Tão longe, tão perto.

Contemplei à volta,
O aposento estava tomado
Como o raiar do Sol ao despontar no horizonte
Contudo, não era dia.

Aproximando-me do parapeito
Apoiei meus braços e contemplei.
Lá estava minha surpresa.
Que beleza inexplicável!
Ao seu redor,
Um misto de cerúleo e stratocumulus enegrecidos
Coroavam-na harmoniosamente
Uma suavidade esplendorosamente misteriosa
Seu raios, emprestados de outros astros
Caíam-lhe perfeitamente bem
E inundavam minh’alma

Sem palavras,
Cantei-lhe uma canção.
Não, não a ela.
Ouviu minha voz Aquele
Que me surpreendeu com uma de suas mais belas criações:
O luar.

Por Acsa Brito.

sábado, 3 de março de 2012

Escolhas

Em luta travada contra si mesma,
Optou pela derrota.
Como o fel
Tornou-se o, outrora, doce demerara.
E em tristeza n’alma
Silenciou diante de tudo.

Sem palavras,
Escondeu o rosto
Ocultou as palavras
Palavras ocultas
Inalcançáveis em mais profundo ser

Tocaram flautas
E não dançou
Entoaram lamentações
E não chorou.
Alma fria e inconsolável
Teceu sua teia de amargura
Protegendo-se contra si mesma
Enquanto vagada à beira do precipício.

Ao raiar da alva
Despertou do sono profundo.
De olhos abertos lembrou-se do precipício.
Ao longe se ouvia:
"What would I have done if it wasn't for Your love
The love that tore the veil inside my heart
What would I have become if it wasn't for Your blood
The blood You gave for all on the cross"

Fechou seus olhos novamente e agradeceu.
Mais valia viver uma Canção
Do que o amargor do doce demerara.


Por Acsa Brito.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um vão

Havia um banquinho para conversar
Sorrir à toa e descansar
Desabafar, perdoar,
Me encontrar em Seu olhar.
Um vão aconchegante de paz
e apenas um banquinho.

Rebuscados confusos
Ilusoriamente belos
Subiram ao olhar esvaziando a alma
Superfície
Ausência de palavras
Um vão cálido e vazio
Separando o início do fim
Fim do silêncio
Fim que é recomeço.

A saudade da simplicidade
da humildade
Sedenta pelo fim
A lenta demolição do ilusório
Nostalgicamente feliz
A alegria do fim: o recomeço.
Um vão e um banquinho.
Aconchego de paz.


Por Acsa Brito.

domingo, 13 de novembro de 2011

Uma missão

Que queres?
Sem pretensão pergunto
O que queres?
Confiar em mim,
confiar a mim?
É tão difícil
Sem forças n'alma pergunto
Que queres?

Como fazes?
Sem esperança pergunto
Como fazes?
Ocultar a si mesmo
a favor de uma alma?
É tão difícil
Como fazes?

A quem pedes?
dentro em mim pergunto
A quem pedes ajuda?
Ajuda para conseguir ajudar
É tão difícil
A quem pedes?

Ter esperança
Mesmo quando não há motivos
Para ter esperança.
Amar como a si mesmo.
A única resposta que encontrei.

Por Acsa Brito.

Olhares

Andei distante daqui,
Subi ao céu e voltei.
Enquanto subia, via-os diminuírem
e em meu olhar,
vi o olhares sumirem.

Lá de longe percebi
A insignificância de cada olhar
Diante da imensidão
do olhar do universo

Senti-me feliz.

Distante dos olhares,
enxerguei a mim mesmo.
Senti-me incapaz,
Era eu também apenas um olhar.

Voltei então à terra e abri os olhos.
Vi e revi o que não mais via
Os olhares.

Encontrei olhares de vergonha
Esses eram apenas "quase olhares"
Olhavam-me de cabeça baixa,
tentando esconder do meu olhar o seu ser.

Vi olhares de impureza
Exalavam perfume de luxúria
E como ácido corroíam outros olhares
Fechei meus olhos imediatamente
Antes que me queimasse a retina.

Vi olhares de arrogância
Uma altivez intimidadora
Olhavam-me como de cima
Desses, sinceramente,
tive eu piedade.
Não conheciam a insignificância
de seus próprios olhares.

Olhei ao lado e vi
Olhares de inferioridade
Olhavam-me com admiração
Como se meus olhos estivessem acima dos seus
Senti-me inútil
Em não conseguir com um olhar
Mostrar-lhes meu desvalor.

Andei pelas ruas,
Encontrei tantos mais olhares
Perdidos na imensidão de seus vazios
Procurando em outros olhares
O segredo oculto do olhar do universo.

Não entendi o porquê de todos esses olhares
Tão sedentos no deserto
Destruindo-se mutuamente
Senti saudade do Olhar
Aquele Olhar confiável de paz
Resolvi então fechar meus olhos
e chorei.

Por Acsa Brito.

sábado, 5 de novembro de 2011

Pausas

Uma lágrima escorrendo pela face,
Única fonte de água no deserto.
Desabrocha de repente por entre as rochas,
Descontroladamente.
Vertendo tristeza,
Dúvida,
Fraqueza,
Insegurança,
Medo
Do amanhã, talvez.
Do hoje, quem sabe.

Canta e ouve som de distância,
Fala e sente a voz do silêncio.
Murmúrios de nó na garganta.
Resquícios de poeira de mundo.
Mundo cruel.

Indagação de olhares:
O que se passa?
O que se sente?
O que diz?

Respostas que se apresentam em atos.
Esvaziar-se.
Afastar-se de si mesma,
Dos outros,
Da areia que se move para longe
- Afastando-me do que me afasta.
Correr de volta à procura do oásis.

E encontrar.
Ou reencontrar
Em simples Palavras de Vida.
Um desesperadamente consolador
Aroma de terra molhada,
Trazendo de volta o que se foi.

E tudo volta a ser
Como o entardecer de cores calmas,
Num singular descanso ao som dos pássaros.

Por Acsa Brito.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Azáfama

Existe um tempo,
Um momento,
Um segundo.

O tempo,
pseudo dono de tudo
Corre contra si mesmo
Duramente intrépido
Obstinado pelo que não conhece:
O futuro.

Há quem esteja fadado
A seguir seus passos.
E corre igualmente.
Nessa corrida,
O respirar é privilégio,
O amar é engano,
Descansar é ilusão,
E esperar é insano.
Tudo isso,
Apenas desperdício
De tempo.

Cá estamos
Presos nesse ciclo
Uma autossabotagem
Viciosamente degradante
Até que se desperte do tempo
Do momento,
Do segundo.

Mas ao redescobrir a vida
Num segundo
o tempo já não é tempo.
Vive-se o momento.

Lá fora, nada mais importa.
Aqui dentro,
Só Tua paz permanece
E prevalece
Dizendo-me que aproveitar
O tempo, o momento, o segundo
É senti-lo
E não servi-lo.


Por Acsa Brito.