sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Suficiência

Antes da alegria,
Antes da conquista,
Esteja aqui,
estou aqui.
Assim,
a alegria,
a conquista
serão em Ti,
minha alegria
que não precisei conquistar...


por Acsa Brito

Diariamente

E o que vejo aqui
tão agradável aos olhos...
abarrotando o coração.

Cada espaço preenchido pelo que vejo
é uma distância entre mim e Você
E todos os dias torna-se um enigma
facilmente decifrável
de como arrancar e lançar fora
esses meus olhos.

Sem enxergar posso ver...
Observo um céu
onde um pássaro sobrevoa
esse mundo tão aparente e,
por assim ser,
tão atraente...

Atraente?
Não consigo enxergar...


por Acsa Brito

Céu

Apenas um olhar
para tão suficientemente me inspirar
E evocar esse sentimento de saudade
Que todos aqui sentimos

Ao vê-lo percebo quando diferente
de nós é.
Assim tão perto me sinto.
Longe de mim te alcanço...


por Acsa Brito

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Simplicidade


A beleza do apenas ser
E ser verazmente
Não fazendo-se um ser
Que não é
Ou sente.
E ser
Simplesmente.
É aqui onde estás.


Por Acsa Brito

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Fortaleza

É nesse meu limite
Que Te vejo tão perto.
Essa linha tênue
que separa o querer do poder.
Porque se tudo posso em Ti
Nada preciso.
Porque no nada
Tudo tenho...
Tenho o que preciso:
Você.


por Acsa Brito

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Em meio à guerra

As unhas cresceram
e ainda estão.
A patologia adversa adormece
Na tranquilidade desse confiar
Pouco crível aos olhos de outrem.

O descanso prevalece...
Assombrosamente.
A certeza de um por vir
adocicada por tenras passadas
ao Seu lado.
Minha paz
em meio à guerra.

por Acsa Brito

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sorrisos ao vento

Que graça tem essa Graça
Que me enche de plena Graça?

Tem a graça da paz, da vida
É o amor que reconstroi, atrai
E se alegra como o pobre antes sem graça.

Quanta alegria no mistério da Graça
Que preço tem essa Graça?
Simplesmente de graça.


por Acsa Brito

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Tac-tic

Então tudo parou
Fez-se silêncio

Tic-tac
Apenas o relógio ousa falar
E marca o tempo
Que retrocede
ao mesmo ponto de partida.
Ao longe, suspiros.

Tic-tac
Não é mais tempo de recomeçar
Voltar atrás não é o melhor caminho
É hora de mudar o rumo

Tac-Tic.


por Acsa Brito

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Memórias

Riscos, rabiscos,
Um risco...

Uma borracha.
Aos poucos, limpo.
Menos rabiscos,
Sem risco.

De volta, o lápis.

Rabiscos, mais rabiscos.
Riscos.

Anáforas da vida.


por Acsa Brito

domingo, 16 de junho de 2013

Walking

Fez-se mendigo
E faminto de alma, roubou-me.
Furtou-me o que de precioso guardava
Achei-te, então, inimigo.

Hoje te vejo prostrado sob a própria carga
Tento ignorá-lo à beira do caminho
Mas o que me ama
disse-me: ama!
Agora cá estou.
Está aqui minha mão.
Dá-me a tua.


por Acsa Brito

sábado, 15 de junho de 2013

No Sinai

E eu igualmente te prometi,
mas não cumpri.
Fingi acreditar,
mas duvidei.
E Você só queria
me dar Seu amor
até mil gerações.


por Acsa Brito

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cura

Quando de mim as escamas caíram,
irrompeu exultante minh'alma
ao Te sentir com meus olhos.
Percebi ao Te ouvir falar
que me conter não conseguiria
e por isso gritei.
Gritei ao mundo quão feliz estava
Não pela cura.
Não pelos olhos que agora viam.
Mas pela inexplicável sensação que é
poder Te enxergar.


Por Acsa Brito

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Irmã

Amo-te como se ama de verdade.
Desses amores que não se escolhe, se vive.
Se ama.
Tanto, tanto,
A ponto de escolher amar novamente.


Por Acsa Brito

terça-feira, 23 de abril de 2013

Amor

A ponte de egoísmo cedeu
E deu lugar ao
"como a si mesmo".
O conhecimento que gera vida
e amor.
Que ensina amor.
Que é o amor.
Seu caminho, meus passos.

Por Acsa Brito

Hoje

Hoje fugi,
E tive medo de ser achada
por mim mesma.
Hoje lastimei a solidão da esperança
Mas "a esperança não trás confusão".
Uma compreensão obscura.

Refugiando o medo,
alcancei o escuro da noite
anelando Sua presença
E esquecer o que lá fora existe.
Encontrei, enfim, descanso.

Por Acsa Brito



O meio

Uma certeza.
O renascer de uma oferta.
A fé que move.
As primeiras gotas,
o ribeiro que flui.
A aprazível que obtém respeito,
e segue firme
em passos sincronizados,
juntos agora.

Sem dádivas.
Elas fazem retroceder
até que haja suficiência.
Em Você.


Por Acsa Brito

O início

Cantos de "negue-se" ecoam na memória,
quando obedecer parece ser
a mais difícil saída.
E tropeço.
Caída ao chão
o único almejo do coração
é ficar ao Seu lado
Percebo então:
És minha fonte de alegria.


Por Acsa Brito.

domingo, 10 de março de 2013

Erros

Portas que se abrem
para o que estava guardado.
E os rabiscos no chão,
Frente a frente o medo e a paz,
a culpa e o perdão,
"expectativam" as mãos carmim
E o que as encobre.

Todos olham,
Apenas Um vê.

A mão que rabisca,
As vozes que acusam,
Uma alma doente que suplica.

Que se pode dizer?
Que se há de fazer?
Rabiscos ocultam 
o mistério do perdão.


Por Acsa Brito






segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ospedali II

Carregava em suas mãos
O peso da saudade,
A agonia da morte,
O lamento da perda.

Um andar cabisbaixo
Num corredor de destinos:
Ospedali

Nas mãos a lembrança,
da esperança que traiu
o sorriso fraco de uma vida.

Os outros mortais,
Em seus austeros envoltórios cor de paz,
Sem paz revelam um ex-ser.
Restou-lhes apenas um olhar frio
Adaptaram-se às inverdades da imortalidade.

Quem quisera antes
Compreender que o fim
É mais uma prévia do que está por vir:
A eternidade ao Seu lado.

Carregava em suas mãos
O peso da saudade
Aqui, apenas (des) ilusões.
Uma simples amostra da fragilidade da vida:
Ospedali.


Por Acsa Brito.